Retrospecto Corintiano


Não dá mais

 

Lamento informar, mas, se você for novo ou nova por aqui, pretendo que este seja o último texto que publicarei neste blog. E, apesar da cabeça quente no momento, tenho planos de não descumprir a promessa. É como um otário que tenho me sentido ao assistir a jogos de futebol nos últimos meses. E tenho certeza de que não sou a única pessoa a se sentir assim.

É um tal de juízes interferirem no resultado das partidas jogo após jogo, rodada após rodada, que a credibilidade dos campeonatos de futebol deveria estar sendo questionada por jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão e sites de internet. Mas isso não acontece por motivos que me parecem óbvios.

O que o senhor Evandro Rogério Roman fez no fim de tarde deste domingo em Campinas deveria virar caso de polícia, deveria ser transformado em processo por crime contra a economia popular. Mas não vai passar de uma eventual suspensão a algum atleta do Corinthians – ou quem sabe ao próprio clube.

Muitos corintianos até desejavam que o Flamengo vencesse o jogo de hoje para que o time carioca ficasse à frente do São Paulo e do Palmeiras na disputa pelo título – o que por si só já um pensamento raso, pois quem deveria estar ali pleiteando a taça era o Timão, que abriu mão publicamente da disputa antes mesmo do fim do primeiro turno.

Mas o fato de o Corinthians estar sendo roubado partida após partida deveria, no mínimo, fazer as pessoas pensarem: veja só, se não tivesse perdido tantos pontos pela mão grande da arbitragem, mesmo sem ter jogado muita coisa, o Timão estaria disputando o título com Flamengo, Internacional, Palmeiras e São Paulo. Mas não está. E por quê?

Porque não se interessou pelo campeonato é uma parte da resposta, pois o time se classificou para a Libertadores de 2010 ao vencer a Copa do Brasil e a conquista do Brasileirão seria uma espécie de artigo de luxo, um presente a mais para sua sempre fiel torcida.

Mas a outra parte da resposta é grave: o Corinthians não está na briga porque foi alvo de erros sucessivos, insistentes, descarados de arbitragem. O problema é que já não se pode mais chamar de erro quando o desfavorecido é sempre o mesmo. Quando isso acontece e o beneficiado também é sempre o mesmo já não estamos então falando em erro apenas, mas em roubo, injustiça, armação de resultados.

E o que o torcedor tem testemunhado – creio eu que grande parte sem se dar conta – é uma festival de armação de resultados.

Eu vou voltar não muito atrás. Campeonato Brasileiro de 2005. O título corintiano daquele ano é sistematicamente contestado como tendo sido “roubado”. Como a turma que argumenta isso sempre tem ampla repercussão na mídia, não há necessidade de perder tempo com essa parte da história.

Pouca gente se lembra do motivo de 11 jogos daquela edição do Brasileirão terem sido cancelados e refeitos: suspeita de manipulação de resultados pelo árbitro Edílson Pereira de Carvalho. Dois daqueles 11 jogos envolveram o Corinthians. Em ambos o Corinthians foi derrotado. E, ao invés de se observar que realmente houve interferência de Edílson Pereira de Carvalho nos resultados, a opção da maior parte da mídia antidesportiva foi considerar que a repetição dos jogos sob suspeita de armação beneficiaria o Corinthians por ele ter perdido os dois. A pergunta é: o Timão perdeu aqueles dois jogos ou o árbitro fez com que ele perdesse? Revendo os lances capitais da partida, eu fico com a segunda opção. Quando os jogos aconteceram, inclusive, relatei os erros de arbitragem aqui neste blog. Quem acompanha há mais tempo sabe disso. O que se fez mais tarde, especialmente no rádio e na televisão, foi uma busca por despenalizar o infrator e condenar a vítima, algo parecido com tentar justificar um estupro alegando que a moça vestia uma roupa sensual.

Pela histórica bagunça que é o futebol brasileiro, parece que crônica e público ainda não entenderam o bordão segundo o qual em um campeonato por pontos corridos todo jogo é decisivo. Naquele ano, um jogo ocorrido na antepenúltima rodada entre Corinthians e Internacional é até hoje lembrado como “decisivo”, pois naquele dia houve um pênalti não marcado pela arbitragem em favor dos gaúchos. Naquele mesmo campeonato, no primeiro turno, houve também um pênalti escandaloso em favor do Corinthians e contra o Internacional ignorado pela arbitragem. Por que este lance é convenientemente esquecido? Ou então, supondo que o jogo do segundo turno fosse mais “decisivo” que o do primeiro, por que ninguém se lembra de como a arbitragem ferrou o Corinthians na última rodada contra o Goiás? Talvez pela mesma maldita conveniência.

Daquele dia em diante, apitar alguma coisa em favor do Corinthians tornou-se uma espécie de crime. Na dúvida, então, os trios de arbitragem passaram a sistematicamente agir contra. Não sei se conscientemente ou não, mas encontrar os registros das sucessões de erros é fácil. O normal, considerando-se que os “erros” sejam realmente erros, é que um time beneficiado num jogo seja prejudicado em outro. Não por lei de compensação, mas porque erros acontecem.

De erro em erro “en su contra”, o Timão entrou numa descendente que culminou com seu rebaixamento para a Série B no ano de 2007. Naquele ano, mesmo sem jogar grande coisa, uma série de erros de arbitragem contra o Corinthians sem nenhuma “contrapartida” levou o time à segunda divisão, da qual ele saiu na bola. Pelas minhas contas, em 2007, o Corinthians perdeu pelo menos nove pontos em erros de arbitragem e não ganhou nenhum. Mais do que suficiente para não ter caído.

Mas o mais grave aconteceu esta semana, quando um diretor do Goiás, em entrevista a uma rádio gaúcha, deixou escapar que seu clube tinha uma dívida de gratidão com o Internacional porque o chorolado teria entregado a partida que manteve o time goiano na Série A e rebaixou o Timão.

Para quem não se lembra, Corinthians e Goiás chegaram à última rodada numa luta indireta pela sobrevivência na primeira divisão. O Corinthians poderia empatar com o Grêmio se o Goiás não vencesse o Internacional. O Timão empatou por 1 x 1 com o tricolor gaúcho, mas o Goiás venceu o Inter por 2 x 1 num jogo altamente suspeito. Primeiro porque, no intervalo, o então técnico chorolado, Abel Braga, deixou o campo reclamando que seus jogadores não estavam se esforçando; segundo porque o Goiás venceu com um gol de pênalti que o árbitro Djalma Beltrame mandou voltar três vezes até entrar (apesar de ter havido irregularidade inclusive na cobrança que ele transformou em gol).

Então agora, dois anos depois, vem um diretor do Goiás deixando escapar essa pérola. Mais tarde o sujeito se corrigiu e disse que a suposta dívida de gratidão goiana seria com o Grêmio, que “não deixou” o Corinthians vencer. Mas o cara é diretor do clube, motivo pelo qual a possibilidade de manipulação de resultado deveria ser, no mínimo, investigada. Alguma coisa ele deve saber. Alguma coisa ele deve ter ouvido. Não falou à toa.

Não tenho dúvidas de que, se fosse o contrário, com o Corinthians sendo o beneficiado, a essa altura já haveria oportunistas de plantão movendo ações para esclarecer os fatos. Imagine você, leitor ou leitora, se o Timão tivesse permanecido na Série A com um juiz mandando um pênalti voltar três vezes contra o Grêmio. É claro que isso não iria acontecer, pois o árbitro daquele jogo foi Alicio Pena Júnior, especializado em sacanear o Corinthians. Mas, se acontecesse, isso seria assunto não apenas até hoje, mas ainda daqui a 15 ou 20 anos.

Então vem o Brasileirão deste ano. O Corinthians foi prejudicado contra o Palmeiras, contra o São Paulo, contra o Flamengo, contra o Náutico e mais uma série de jogos. Houve um jogo, contra o Internacional, no qual o Corinthians foi beneficiado. E foi só esse. Os times que estão na briga agora receberam ajuda atrás de ajuda da arbitragem.

No jogo de hoje, Evandro Rogério Roman deu cartão amarelo para três jogadores do Corinthians no mesmo lance, expulsou o técnico Mano Menezes e ainda marcou um pênalti inexistente para o Flamengo no fim do jogo. Num lance igual sobre Ronaldo quando o jogo ainda estava 0 x 0, ele “interpretou” de outra forma. Nas faltas violentas do Flamengo, fingiu que não era com ele. Quando o Flamengo bateu o pênalti, Felipe nem pulou na bola. E não ficarei espantado se ele for punido. Também não ficarei espantado se Elias, que na saída pro intervalo disse que o árbitro “é um merda e não sabe o que está fazendo”, for suspenso pela declaração. Mas uma certeza eu tenho: o árbitro não será suspenso pela atuação desastrosa de hoje. Ou teria ele recebido ordens pra fazer o resultado em favor do Flamengo?

E isso não se limita ao Campeonato Brasileiro. Na Libertadores, que passou a ser cultuada pelo PIB depois que o São Paulo foi campeão em 1993 (até então ninguém no Brasil dava a menor bola pra Libertadores), todos os últimos campeões tiveram durante a campanha favorecimentos absurdos de arbitragem em seu favor. Mas isso só vai virar notícia quando o Corinthians ganhar, provavelmente já no ano que vem.

Infelizmente não há como saber até que grau vai a armação e onde entra a incompetência dos árbitros (vale lembrar que por aqui a arbitragem não é profissional, mas amadora). A única certeza é de que o torcedor é tratado como um idiota. O torcedor é quem paga a conta. Torcedor paga pra comprar ingresso, pra comprar camisa, pra comprar pay-per-view. Quem recebe são os jogadores, os árbitros, os dirigentes, os detentores dos direitos de transmissão etc. Eles são sustentados pelos torcedores. Por nós. E nos desrespeitam dia após dia, jogo após jogo, campeonato após campeonato.

Eu lamento. Cansei de ser idiota. O Corinthians já jogou este ano 71 jogos. São pelo menos 142 horas perdidas, seis dias inteiros desperdiçados (sem contar as horas escrevendo, discutindo, estressando) por causa de uma armação. Em dez anos, 60 dias. Em 20, quatro meses inteiros.

Esse tempo todo ficamos mentalmente distantes das pessoas que amamos, distantes de nossos objetivos de vida, longe de coisas realmente úteis que podemos fazer em favor da sociedade, deixamos de buscar alguma forma de engrandecimento, seja pessoal, espiritual ou material.

O alcance deste blog é reduzido, infelizmente. Minhas idéias normalmente não ajudam. Mas se você chegou até aqui, pare e reflita um pouco. Sei que não conseguirei ficar muito tempo sem ver jogos. Mas daqui por diante vou tentar me importar menos. Nada me garante que eu vá vencer essa luta comigo mesmo, mas, se depender do que sinto agora, esta é a última linha que escrevo para este blog. Obrigado.

 



 Escrito por Ricardo às 22h48 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.130

2 x 3
Alício Pena Júnior tem fama de caseiro. Mas, como toda regra carece de uma exceção para ser confirmada, antes de ser caseiro, o árbitro mineiro é definitivamente anticorintiano. Esse juizinho de quinta categoria não pode ver o nome do Corinthians inscrito no placar que dá um jeito de mexer no resultado, jogue o Timão dentro ou fora de casa. E foi assim, mais uma vez, que, na noite deste sábado, Alício Pena Júnior fez 3 x 2 para o Náutico em pleno Pacaembu.

O time pernambucano abriu o placar com um gol que, na melhor das hipóteses, seria declarado em posição duvidosa pelo PIB se o lance favorecesse o Corinthians. Mas Ronaldo voltou inspirado para o segundo tempo. Marcou o gol do empate, deu o passe para Elias virar o jogo e, por preciosismo, desperdiçou a chance de liquidar a fatura. No meio do segundo tempo, Alício Pena Júnior viu-se obrigadoa expulsar Bruno Mineiro por falta criminosa em Elias.

O jogo já se aproximava do fim quando Carlinhos Bala, amiguinho do Alício, achou um gol de empate. Numa altura do campeonato na qual, para o Corinthians, tanto faz como tanto fez, Alício botou então as manguinhas de fora. Aos 46, Escudero fez falta fora da área, mas o árbitro marcou pênalti. Um erro escandaloso de um juiz que rotineiramente erra escandalosamente contra o Corinthians. Aílton converteu o pênalti inventado.

Trata-se da terceira vitória seguida do Náutico sobre o Corinthians por um gol de diferença com pênalti arrumado pela arbitragem.Mais curioso ainda é o fato de o Corinthians ser roubado dessa forma em um momento no qual a vitória do Náutico pode colocar em risco a sobrevivência de dois cariocas na Série A, o que parece expor ainda mais o vício anticorintiano de Alício.

Alício Pena Júnior tem histórico de inventar pênaltis contra o Corinthians. Certa vez, na Vila Belmiro, um jogador do Santos chutou bisonhamente o gramado e o lance virou pênalti contra o Corinthians nas mãos de Alício. Foi ele o juiz que deu o título da Copa do Brasil de 2008 ao Sport de Carlinhos Bala, contra o Corinthians. Foi ele que apitou o jogo no qual o Timão foi rebaixado no Brasileirão de 2007. Entre tantas outras desgraças.

Peço encarecidamente à diretoria do Corinthians que adote a mesma tática do Palmeiras e do São Paulo e passe a vetar certos árbitros. Alício Pena Júnior, a meu ver, ocupa o topo da lista de candidatos a veto. Ninguém pede aqui que o Corinthians seja beneficiado. Basta parar de ser sistematicamente roubado e já estará tudo muito bem. Afinal, mesmo sem ter jogado muita coisa no Brasileirão deste ano, o Corinthians certamente estaria brigando agora por título, não fossem os pontos roubados pela arbitragem.

Fora isso, esse negócio de perder ida e volta pra time dirigido pelo Asninho, mesmo que roubado, é algo a ser revisto. Acorda, Corinthians!

Contra o Náutico:
Retrospecto geral: 22 jogos, 10 vitórias, 4 empates, 8 derrotas, 27 gols pró, 24 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 16 jogos, 8 vitórias, 1 empate, 7 derrotas, 19 gols pró, 17 gols contra.

O Corinthians em 2009:
70 jogos; 32 vitórias; 24 empates; 14 derrotas; 109 gols pró; 79 gols contra.

Artilheiros em 2009:
23 gols: Ronaldo (+1); 14 gols: Dentinho e Chicão; 10 gols: Jorge Henrique; 7 gols: Elias (+1); 6 gols: Cristian e André Santos; 4 gols: Souza e Otacílio Neto; 3 gols: Jean e Douglas; 2 gols: Jucilei, Marcinho e Boquita; 1 gol: Defederico, Bill, Moradei, Renato, Diogo, Lulinha e William. Contra: Adriano, do Oeste de Itápolis, na vitória do Corinthians por 4 x 1 em 31/01/2009; Marquinhos, do Avaí, na derrota alvinegra por 3 x 1 em 15/11/2009.

Na história do Campeonato Brasileiro:
991 jogos; 412 vitórias; 293 empates; 286 derrotas; 1.311 gols pró; 1.091 gols contra.

O Corinthians no Pacaembu:
1.542 jogos; 873 vitórias; 362 empates; 307 derrotas; 3.052 gols pró; 1.818 gols contra.

O Corinthians na história:
5.130 jogos*; 2.681 vitórias; 1.257 empates; 1.176 derrotas; 9.957 gols pró; 6.054 gols contra.

*Dos jogos feitos pelo Corinthians desde 1910, há 15 partidas cujos resultados não foram registrados e continuam desconhecidos até hoje.



 Escrito por Ricardo às 22h10 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.129

3 x 1
Mesmo quando um jogo não vale nada, os árbitros garfam o Corinthians pelo simples prazer de garfar. Foi assim na tarde deste domingo no Estádio da Ressacada, em Florianópolis, onde o árbitro cearense Francisco Almeida Silva fez o Avaí derrotar o Timão por 3 x 1.

Aos 12 minutos, William abriu o placar para o time da casa em um pênalti inventado pelo senhor do apito. Mas, dois minutos depois, Defederico bateu escanteio com efeito e Marquinhos marcou contra. Aos 28, William apareceu na banheira e o auxiliar marcou impedimento, mas o árbitro "bancou o lance". Errado, claro.

No fim do primeiro tempo, Balbuena acabou expulso em lance infantil. E o árbitro não precisou mais se esforçar para assegurar a primeira vitória do Avaí sobre o Corinthians na história do confronto entre os dois.

Aos 24 da etapa complementar, Léo Gago fechou a conta com o único gol regular marcado pelo Avaí no jogo. E isso porque o Corinthians jogou em ritmo de fim de festa, uma vez que a vitória de ontem do São Paulo sobre o Vitória acabou com chances matemáticas de título.

Interessante (ou impressionante, ou estarrecedor) notar que, mesmo tendo abandonado a competição antes do encerramento do primeiro turno e jogando grande parte do Brasileirão com uma má vontade de dar nos nervos, o Corinthians manteve-se com chances matemáticas de conquistar a tríplice coroa até três rodadas do fim.

Contra o Avaí:
Retrospecto geral: 5 jogos, 2 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 9 gols pró, 9 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 2 jogos, 1 empate, 1 derrota, 1 gol pró, 3 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 19h20 [] [envie esta mensagem] []






Do futebol e dos árbitros

 

Tenho dado boas risadas nos últimos dias com a falta de bom senso das emissoras de televisão e das páginas de internet dedicadas à cobertura futebolística. Tudo por conta do gol do palmeirense Obina contra o Fluminense pelo árbitro gaúcho Carlos Eugênio Simon.

Enquanto tenta-se de tudo para camuflar a incompetência do Palmeiras e espinafrar o árbitro, as TVs e os portais resolveram relembrar o que qualificaram como “grandes erros da história da arbitragem”.

Entre tantos erros que poderiam ser citados, os cronistas esportivos pinçaram três casos específicos, declarando sorrateiramente o Corinthians como suposto beneficiário da mão amiga da arbitragem: a semifinal do Paulistão de 1998, contra a Portuguesa; a decisão da Copa do Brasil de 2002, contra o Brasiliense; e o jogo contra o Internacional no returno do Brasileirão de 2005.

Analisarei agora cada um desses casos de trás pra frente.

O lance de 2005 foi um suposto pênalti não marcado pelo árbitro mineiro Márcio Rezende de Freitas no volante chorolado Tinga. Faltavam três rodadas para o fim do campeonato e o lance foi declarado como “decisivo” no empate por 1 x 1. Mas os mesmos cronistas que denunciaram esse caso esqueceram-se que, no primeiro turno daquele Brasileirão, no jogo em Porto Alegre, um 0 x 0, houve um pênalti escandaloso no então atacante corintiano Jô. Segundo o chavão repetido exaustivamente pelos mesmos cronistas, numa disputa por ponto corridos todo jogo é decisivo. Não creio que uma mão lave a outra nem que erros de arbitragem dentro das quatro linhas devam ser compensados. Mas, apesar de os dois lances terem sido decisivos, um deles é convenientemente esquecido e o outro é martelado persistentemente na cabeça da audiência. Por que será? E ninguém nem ao menos se dá ao trabalho de lembrar que pênalti não é garantia de gol.

O episódio de 2002, contra o Brasiliense, é um pouco mais insano. Na primeira partida da final, disputada no Morumbi, o então atacante corintiano Gil e um zagueiro adversário saem correndo atrás de uma bola chutada para o alto. Os dois correm olhando para cima, nitidamente visando à bola. Enquanto correm, o zagueiro tropeça em Gil e cai. Um choque natural. Nada além. Gil saiu com a bola na frente do goleiro e rolou para Deivid marcar. O Corinthians venceu aquele jogo por 2 x 1. O árbitro era Carlos Eugênio Simon. E a única irregularidade por ali era um desnível no gramado do Morumbi a 20 metros do lance.

Mas a cereja do bolo é a semifinal do Paulistão de 1998, contra a Portuguesa. O Corinthians jogava por dois empates para ir à decisão. No primeiro jogo, 1 x 1. No segundo, apitado pelo argentino Javier Castrilli, o placar foi 2 x 2. E até hoje os cronistas falam de um pênalti no fim de jogo que deu o empate ao Corinthians. A nenhum deles convém lembrar que os dois gols marcados pela Portuguesa foram irregulares, com os bandeirinhas permitindo a sequência de jogadas nas quais havia impedimento do ataque lusitano. Lembram-se apenas que o Corinthians empatou com dois gols de pênalti, como se isso fosse crime. No primeiro deles, uma gravata dentro da área em cima do zagueiro Cris; no segundo, um toque de mão do zagueiro César aos 45 do segundo tempo. O primeiro pênalti todo mundo viu. O segundo, ninguém além do árbitro. Todos os ângulos de visão das câmeras estavam encobertos. A única pessoa com visão frontal do lance era Castrilli. Hoje, os cronistas juram de pés juntos que César matou no peito. Mas ninguém sabe ao certo além de Castrilli. E ele só pode ter marcado o que viu.

Ou seja: do meio de todo o chororô palmeirense, o alvo da crônica antidesportiva acabou sendo o Timão, que desde 2005 tem sido alvo constante de erros crassos de arbitragem.

Nenhuma dessas cronologias de “grandes erros de arbitragem” lembrou dos lances que levaram o Palmeiras e o São Paulo à liderança da atual edição do Campeonato Brasileiro, inclusive nos jogos do returno contra o Corinthians, que, sozinhos, já deixariam o Flamengo na liderança. Também se esqueceram de mencionar como o São Paulo levou o Brasileirão de 1986 em cima do Guarani com um gol em que a bola entrou por fora, por um furo na rede. Ou então da série de erros grotescos que deram o título ao São Paulo em 2007. Também se esqueceram dos erros que contribuíram para o rebaixamento do Corinthians em 2007, das ajudas pelo caminho que deram ao Palmeiras e ao Internacional seus respectivos títulos de Libertadores. E de tantas outras coisas mais.

Poucos times no futebol brasileiro, por exemplo, são tão beneficiados quanto o São Paulo. Os jogadores de um dos times que deu origem a esse clube eram carinhosamente chamados pela imprensa da época de “nossos meninos”. Hoje os atletas do São Paulo não são mais chamados assim, mas o clube continua sendo tratado como tal pela maior parte dos veículos de comunicação.

 



 Escrito por Ricardo às 16h29 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.128

2 x 0
Ronaldo desequilibrou mais uma vez e o Corinthians teve pouco trabalho para despachar o Santo André por 2 x 0 na tarde deste domingo no Pacaembu, praticamente selando o retorno à Série B de um clube que no ano passado retornou à elite do futebol nacional como vice do Timão.

A vitória alvinegra pôs fim a uma sequência de cinco empates consecutivos no duelo entre Corinthians e Santo André, quatro deles por 1 x 1.

Sempre redondo, o atacante alvinegro abriu o placar com um lindo gol de canhota de fora da área aos 36 minutos do primeiro tempo. A bola foi na forquilha, sem chances para o goleiro Neneca. Aos 30 da etapa complementar, Ronaldo matou no peito na meia lua e deu um passe meio quadrado, mas a zaga tratou de arredondar para Dentinho fuzilar na saída de Neneca.

Além da boa atuação do Fofômeno, destaque também para Jorge Henrique e Defederico. Os dois tabelaram com facilidade na partida de hoje e jogaram bola como se fossem companheiros de peladas desde a infância. Balbuena, pelo segundo jogo seguido, carimbou o travessão e mostrou raça.

Os leitores deste Retrospecto Corintiano já devem ter reparado que o blogueiro é um tanto corintianocêntrico. Eis que o sujeito foi olhar com mais atenção a tabela agora à noite e percebeu que o Timão está a apenas dez pontos do topo da tabela. Restam doze em disputa. É improvável o que você está pensando que o maluco do blogeiro está pensando? Sim, claro que é. Bastante improvável, aliás. Mas é impossível? Não. Longe disso. Nada é impossível. E não. Eu não bebi demais. Pelo menos por hoje.

Contra o Santo André:
Retrospecto geral: 30 jogos, 14 vitórias, 12 empates, 4 derrotas, 43 gols pró, 24 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 21h38 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.127

2 x 2
O Corinthians dominou a maior parte do clássico deste domingo contra o Palmeiras em Presidente Prudente e chegou a estar duas vezes adiante no marcador, mas falhas no setor defensivo e uma mãozinha do árbitro Héber Roberto Lopes ao adversário selaram o empate por 2 x 2.

O Timão alugou o meio de campo durante o primeiro tempo, mas saiu na frente somente aos 39 minutos. Defederico deu passe magistral para Jorge Henrique, que saiu na cara do gol. Ao driblar Marcos, Jorge Henrique foi derrubado pelo goleiro palmeirense. Marcos foi expulso. E Ronaldo abriu o placar ao bater a penalidade.

Dois minutos depois, Jorge Henrique puxava contra-ataque quando sofreu carrinho criminoso de Danilo. O lance era para expulsão, mas Héber Roberto Lopes ficou só no cartão amarelo. No início do segundo tempo, a defesa falhou, Felipe cassou borboleta e Danilo, que deveria ter sido expulso, igualou o marcador.

Mas o Corinthians continuava senhor do jogo. Aos 20, novo passe magistral de Defederico, desta vez para Ronaldo. O atacante corintiano gingou, tirou o goleiro Bruno e, quase sem ângulo, colocou o Timão novamente na frente. Tudo parecia caminhar para o fim do jejum de três anos sem vencer o Palmeiras. Só que o Palmeiras empataria o jogo em nova falha de marcação.

Defederico, Jorge Henrique e Ronaldo jogaram muito bem, mas o Palmeiras soube se defender e assegurou o empate, mesmo tendo jogado mais de um tempo inteiro com um homem a menos no calor infernal de Presidente Prudente.

Aliás, o jogo ficou muito além das minhas expectativas. Jogar em Prudente com sol a pino (e sol de três da tarde, já que estamos em horário de verão) é de matar. Apesar da falta de bom senso da parte de quem marcou o jogo para esse horário, a partida foi brigada e disputada. O Palmeiras, inclusive exagerou na chinelada, mas a arbitragem foi condescendente com as botinadas alviverdes.

Para o Corinthians, 2009 acabou hoje. Este blog acompanhará os últimos jogos da temporada em ritmo de balanço de fim de ano, e torcendo para que o centenário alvinegro seja mais prolífico do que o atual em títulos e em bom futebol, que ficou limitado ao primeiro semestre.

Não que vencer o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil seja pouco. É ótimo. Mas qualquer pessoa menos desatenta sabe que, se tivesse encarado o Brasileirão com seriedade, o Corinthians estaria agora brigando pela tríplice coroa.

Contra o Palmeiras:
Retrospecto geral: 330 jogos, 112 vitórias, 98 empates, 120 derrotas, 444 gols pró, 488 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 35 jogos, 10 vitórias, 13 empates, 12 derrotas, 33 gols pró, 46 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 23h48 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.126

0 x 1
O Corinthians finalmente voltou a apresentar um futebol consistente e derrotou o Vitória por 1 x 0 na noite desta quarta-feira no Barradão, em Salvador. O gol do triunfo sobre o assíduo freguês soteropolitano foi marcado pelo argentino Defederico. Ele posicionou-se com inteligência na última linha da defesa adversária e aproveitou belo passe de Jucilei no segundo tempo para marcar seu primeiro gol com o manto alvinegro. O primeiro de muitos, espero eu.

Restando seis rodadas para o término da competição, o resultado de hoje tanto faz como tanto fez. A expectativa maior, daqui para adiante, fica por conta do clássico da próxima rodada contra o Palmeiras. Dependendo dos resultados da quinta-feira e do fim de semana, uma vitória alvinegra no domingo pode tirar seu maior rival do grupo de times que se classificam para a Libertadores.

Acirrado como está o Campeonato Brasileiro deste ano, é claro que a situação não seria necessariamente definitiva, mas seria um feito interessante para o Timão, que já ganhou o que tinha para ganhar este ano, mas ainda deve uma atuação de gala contra o Palmeiras.

Contra o Vitória:
Retrospecto geral: 32 jogos, 18 vitórias, 9 empates, 5 derrotas, 62 gols pró, 34 gols contra.
No Campeonato Brasileiro: 25 jogos, 16 vitórias, 6 empates, 3 derrotas, 53 gols pró, 23 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 23h57 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.125

0 x 1
Um gol irregular de Gilberto aos 40 minutos do primeiro tempo assegurou ao Cruzeiro uma vitória pela contagem mínima sobre o Corinthians no início da noite deste domingo no Pacaembu. Há quem vá alegar que o Timão tenha jogado mal. E realmente jogou. Mas o time mineiro também não jogou nenhuma maravilha e achou a vitória num erro do bandeirinha.

Quando o alvinegro obtém algum benefício da arbitragem, é comum o PIB estampar o acontecimento em suas manchetes, promover debates dirigidos e buscar desqualificar o Corinthians de todas as formas possíveis e imagináveis. Já quando o erro prejudica o Timão, silêncio! O episódio costuma ser omitido.

E isso quando o PIB não resolve tentar justificar o erro da arbitragem. "Mas o lance era interpretativo", disseram alguns sobre o gol legítimo de Dentinho anulado outro dia contra o São Paulo. "Mas era 'só' meio metro de impedimento", justificarão outros, quando a arbitragem validar um gol ilegal contra o Timão, como ocorreu hoje. No início do jogo deste domingo, quando Ronaldo marcou um gol irregular, juiz e auxiliar apressaram-se em anular o lance. Vai ter replay? Nem a pau.

Como diria o saudoso e vitorioso ex-técnico mosqueteiro Carlos Alberto Parreira, "o gol é um detalhe". E o Cruzeiro ganhou do Corinthians por um detalhe. Irregular, mas um detalhe. Fora o gol, o Cruzeiro defendeu-se e cozinhou o jogo. Nada além. Totalmente sem inspiração, o Corinthians não conseguiu reagir. Quando tentou, parou nas mãos do goleiro Fábio. Os destaques negativos ficaram, a meu ver, para Elias e Marcelo Oliveira, que conseguiram apresentar desempenhos abaixo da crítica.

A partir dos 30 do segundo tempo, o Corinthians ficou com um homem a mais em campo, quando Fernandinho foi expulso. A meu ver, por exagero do juiz. Mas nem assim o time conseguiu fazer pressão suficiente para chegar ao empate. O que dizer então para virar.

Com o resultado de hoje, Corinthians e Cruzeiro chegam ao quarto duelo consecutivo no qual o mandante leva uma chamuscada do visitante neste clássico nacional prestes a completar 70 anos de história. Não ocorre nenhuma vitória de mandante neste confronto desde 2006.

Ao mesmo tempo, depois de passar mais de um ano praticamente imbatível em seus domínios, o Corinthians parece jogar como visitante em seu próprio lar. Das quatro derrotas sofridas pelo alvinegro este ano no Pacaembu, três ocorreram nos últimos quatro jogos disputados no estádio.

Contra o Cruzeiro:
Retrospecto geral: 64 jogos, 27 vitórias, 17 empates, 20 derrotas, 90 gols pró, 79 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 44 jogos, 16 vitórias, 13 empates, 15 derrotas, 49 gols pró, 45 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 22h09 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.124

2 x 0
São essas atuações ridículas do Corinthians que me irritam. Numa tarde de total passividade, o alvinegro deixou o Sport Recife jogar à vontade e perdeu por 2 x 0 na Ilha do Retiro.

Concordo que a conquista da Copa do Brasil tenha dado uma relaxada na turma e blablablá, mas agora está demais. Já passou do ponto faz tempo.

Basta um time da zona de rebaixamento vir jogar contra o Corinthians para se ter certeza de que o Timão perderá pontos.

Salvo uma ou outra exceção, os jogadores entram em campo como se nada estivesse acontecendo, como se o jogo estivesse ganho.

Detestar perder faz parte do jeito de ser corintiano. Mas a derrota para determinados adversários é mais detestável que a média, como no caso de perder para o Sport.

É fato que, se jogasse como no primeiro semestre, a essa altura o Corinthians seria o líder disparado do Campeonato Brasileiro e estaria a poucos pontos da tríplice coroa. Mas o time jogou a toalha muito cedo. Desistiu de ser protagonista para se transformar em coajuvante de luxo. Isto não é Corinthians.

Corinthians é luta, raça, vibração. É não se conformar com derrota. Até o último minuto. Não creio que essa atitude se mantenha no ano do centenário. Mas futebol é momento, foco, cabeça no lugar. E o momento é péssimo, o foco inexiste e a cabeça está perdida em algum canto por aí. Acorda, Corinthians!

Contra o Sport Recife:
Retrospecto geral: 30 jogos, 9 vitórias, 8 empates, 13 derrotas, 34 gols pró, 43 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 25 jogos, 7 vitórias, 7 empates, 11 derrotas, 24 gols pró, 34 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 20h43 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.123

2 x 1
Depois de uma ridícula sequência de apenas três pontos conquistados em 15 disputados, o Corinthians reencontrou o bom futebol na tarde deste sábado e derrotou o Grêmio por 2 x 1 no Pacaembu. Trata-se da primeira vitória alvinegra em 40 dias, após uma sequência de duas derrotas em casa e três empates fora.

Pode-se dizer que o Corinthians voltou a jogar como um time após passar algumas semanas entrando em campo como um amontoado de jogadores. Felipe fechou o gol; Chicão e William, juntos de novo, recompuseram a defesa; Elias voltou a correr no meio de campo; na frente, Ronaldo, Jorge Henrique e Dentinho infernizaram a vida da zaga adversária.

Logo nas primeiras jogadas foi possível perceber que Ronaldo havia entrado em campo a fim de jogo. E caras como ele, quando querem jogar, não passam em branco. Aos 11 minutos, Ronaldo inaugurou o marcador em um chute de esquerda de longa distância depois de uma jogada bem tramada. Foi o centésimo gol do Corinthians no ano. Também foi dele o passe para Elias ampliar a vantagem alvinegra depois em um contra-ataque fulminante aos 33 minutos. No restante da partida, quando acionado, Ronaldo levou perigo.

O argentino Defederico entrou no fim e teve uma atuação mais próxima do que se espera dele, buscando a bola e participando ativamente das jogadas de ataque. Ele teve uma chance de liquidar a fatura no fim da partida, mas, depois de limpar o zagueiro, pegou muito embaixo da bola e desperdiçou a oportunidade. Mas ele está se adaptando e, creio eu, em pouco tempo estará plenamente integrado.

Enquanto isso, hoje aproveitarei para, finalmente, falar sobre Felipe. Quem acompanha o blog há mais tempo sabe da bronca que desenvolvi com relação a ele no decorrer de 2008. Depois de atuações espetaculares no ano do rebaixamento (não fosse por ele, o Corinthians teria caído antes da última rodada), Felipe teve uma queda vertiginosa de rendimento no ano passado, mas comportava-se como se tivesse um rei na barriga, como se fizesse um favor em defender o Corinthians. Ele, cujos momentos mais marcantes da carreira eram rebaixamentos pelo Vitória, pela Portuguesa e pelo Timão, teve responsabilidade por uma parcela alta dos poucos gols que o Corinthians sofreu no ano passado.

Até que veio 2009. E as primeiras atuações de Felipe justificavam minhas desconfianças. Era falha atrás de falha no Campeonato Paulista. Veio então a Copa do Brasil. E Felipe voltou a repetir as excelentes atuações de 2007. E, quando eu pensava "hoje eu elogio o Felipe", ele ia lá e entregava um jogo. Não sou supersticioso, mas o leitor sabe como são as coisas no meio do futebol. Preferi não me arriscar a elogiar. Vai que dá azar. Mas reservei as críticas somente para as falhas mais absurdas, como o gol contra no primeiro jogo da final do Campeonato Paulista.

Então o Corinthians foi campeão paulista e da Copa do Brasil e resolvi esperar uma atuação de gala de Felipe para refazer minha opinião sobre ele. O que marca a carreira de Felipe hoje não são rebaixamentos sucessivos, mas conquistas. E todas elas pelo Corinthians. Assim como eram necessários motivos (falhas) para as críticas, esses títulos são motivos mais do que suficientes para eu reformular minha posição.

A esperada atuação de gala aconteceu hoje, especialmente no primeiro tempo, quando o Grêmio criou chances claras de gol e Felipe as defendeu, como uma muralha, como deve ser um goleiro alvinegro. No gol, ocorrido no segundo tempo, não teve culpa pela falha de marcação. Aqui está, portanto, um texto que estava devendo aos leitores, a Felipe (duvido que ele tenha lido minhas críticas ou que vá ler este texto, mas tudo bem) e a mim mesmo.

Contra o Grêmio:
Retrospecto geral: 70 jogos, 24 vitórias, 17 empates, 28 derrotas, 77 gols pró, 95 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 43 jogos, 13 vitórias, 10 empates, 20 derrotas, 42 gols pró, 62 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 18h54 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.122

1 x 1
O Corinthians se prestou a um joguinho de comadre na noite desta quarta-feira contra o Fluminense, no Maracanã, e ficou apenas num empate por 1 x 1. O time carioca partiu pra cima na afobação e conseguiu um gol logo aos 4 minutos. O Timão passou a dominar o jogo depois que colocou a bola no chão e chegou ao empate lá pelo meio do primeiro tempo, num magnífico passe de peito de Jorge Henrique para Dentinho.

Tudo ia muito bem até uns 10 ou 15 minutos da segunda etapa, quando, de repente, o Corinthians aparentemente desistiu do jogo e começou a jogar de lado, meio que chamando o Fluminense pra cima, meio que dizendo "ei, amigo, a gente te ajuda a sair dessa crise". Quando a situação apertava, o árbitro fazia sua parte de acordo com a encomenda, aqui deixando de expulsar um jogador do time carioca, ali deixando de assinalar pênalti para o Corinthians, depois inventando impedimento no ataque alvinegro. Coisas assim.

Parecia que todo mundo estava interessado em ajudar o Fluminense a deixar a lanterna do campeonato, menos o próprio Fluminense, cada vez mais próximo de cumprir seu dever histórico de jogar a segunda divisão e retornar à elite do futebol brasileiro na bola.

Para quem não se lembra, o Fluminense foi beneficiário de vergonhosas manobras no tapetão para permanecer na Série A ao longo dos últimos 13 anos. Em 1996, o Fluminense terminou o Brasileirão rebaixado, mas uma manobra manteve o time na primeira divisão no ano seguinte. Em 1997, nova queda do tricolor carioca. Como seria constrangedor demais beneficiar novamente o Fluminense, a CBF deixou o time carioca na segunda divisão. E o que aconteceu? Em 1998, a versão carioca do São Paulo caiu pra terceira divisão. Quando todos esperavam um novo tapetão, o Fluminense disputou a terceirona em 1999 e acabou campeão da Série C. No ano 2000, porém, nova manobra da CBF. Em meio a uma disputa judicial envolvendo o rebaixamento do Gama da Série A para a B, a CBF convidou Fluminense e Bahia, que deveriam disputar a segunda divisão, para disputar a primeira. E assim ia ficando.

Agora, quase uma década depois, o Fluminense parece cada vez mais próximo de cumprir seu dever histórico e, quem sabe um dia, retornar na bola para a Série A. Por essas e por outras, o Corinthians jamais poderia ter se comportado como fez hoje. Deveria ter ido para cima e acabado com o Fluminense. Estava fácil o jogo. Não entendo porque isso não aconteceu. Ou entendo?

Contra o Fluminense:
Retrospecto geral: 87 jogos, 30 vitórias, 25 empates, 32 derrotas, 121 gols pró, 122 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 37 jogos, 13 vitórias, 13 empates, 11 derrotas, 40 gols pró, 36 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 23h53 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.121

1 x 3
Depois de uma partida taticamente perfeita contra o São Paulo, estragada apenas pela ridícula atuação do trio de arbitragem anticorintiano, a defesa alvinegra resolveu entregar de bandeja os pontos do jogo da noite deste sábado para o Atlético Paranaense. A desentrosada dupla de zaga reserva formada por Paulo André e Renato foi determinante para a derrota por 3 x 1 em pleno Pacaembu.

O primeiro tempo foi truncado, com o Corinthians tentando a iniciativa e o time paranaense marcando implacavelmente. A primeira finalização do jogo ocorreu com quase 25 minutos de bola rolando e primeiro chute corintiano ao gol veio somente aos 30, com Ronaldo.

O Timão voltou pra cima na segunda etapa e teve duas boas chances de abrir o marcador antes de, aos 7 minutos, Paulo Báier aparecer sozinho para marcar em bobeada da defesa. O Corinthians foi pra cima e quase chegou ao empate. Numa bicicleta de Dentinho que ia para o gol, um zagueiro do Atlético pleiteou vaga na seleção brasileira de vôlei ao fazer um belo bloqueio com os braços dentro da área. O árbitro fingiu que não era com ele, mas passou recibo do desvio de bola ao assinalar escanteio. Aos 22, Paulo André perdeu bola no meio de campo e o Atlético ampliou.

O técnico Mano Menezes botou o time pra cima, mas o Atlético resistia. Aos 37, Ronaldo bateu falta, a zaga desviou e Jucilei descontou de cabeça. O Timão então foi com tudo pra cima do adversário. O balde de água fria veio nos acréscimos, quando o Corinthians era todo pressão e a fiel jogava junto em busca do empate. Num contra-ataque paranaense, Felipe aceitou um frango e pôs fim a qualquer chance de reação. Acontece.

O fato é que a defesa reserva é uma mãe. Começa até a dar medo quando sai a escalação sem Chicão e William. Esta foi a segunda derrota consecutiva do Corinthians no Pacaembu depois de longos períodos de invencibilidade no estádio.

Edno estreou hoje, discretamente. Foi substituído por Defederico, que ainda precisa se adaptar ao futebol brasileiro. Ele ainda vai descobrir que argentino no Corinthians, aos olhos dos árbitros e dos adversários, tem apenas o direito de apanhar. Calado, de preferência. Depois disso ele deslancha.

Enquanto isso, o Atlético Paranaense pode gritar aos quatro cantos que será o único time do Brasil a vencer o Corinthians três vezes este ano. Das únicas dez derrotas alvinegras em 2009, três foram para este adversário, uma pela Copa do Brasil e duas pelo Brasileirão.

Contra o Atlético-PR:
Retrospecto geral: 41 jogos, 15 vitórias, 12 empates, 14 derrotas, 63 gols pró, 64 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 27 jogos, 9 vitórias, 8 empates, 10 derrotas, 37 gols pró, 44 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 22h12 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.120

1 x 1
Um despudorado assalto a mão armada ocorreu na tarde deste domingo no Morumbi, mas nem com três a mais durante os 90 minutos de jogo o São Paulo conseguiu ganhar do Corinthians. Desde o início, o tricolor jogou com 14 contra 11. O árbitro Ricardo Marques Ribeiro e seus auxiliares Carlos Augusto Nogueira Júnior e Emerson Augusto de Carvalho foram fundamentais para impedir que o Timão deixasse seu salão de festa predileto fazendo o de sempre... festa. Entre outros feitos, eles anularam um gol legítimo do Corinthians e validaram o tento irregular do São Paulo.

O Corinthians entrou em campo deixando a iniciativa para o suposto time de casa. A trupe mosqueteira defendia-se com eficácia e levava perigo quando subia. Até que o Timão abriu o placar e pôde passar a jogar com mais calma. Depois do gol, o adversário descontrolou-se e começou a bater.

O gol do Corinthians saiu aos 20 minutos, mas a jogada começou três minutos antes. Dá até para os são-paulinos culparem o árbitro, se bobear. Aos 17, Júnior César fez falta criminosa em Dentinho. O juiz não assinalou o ato de violência, deixou o lance seguir e, pouco depois, teve de parar a bola para que o atacante corintiano fosse atendido. Dentinho saiu de campo, recebeu atendimento e, quando o árbitro autorizou sua volta, Richarlyson errou um passe na saída de bola. Dentinho roubou a pelota e tentou lançar Ronaldo, mas também errou o passe. O zagueiro adversário André Dias, ao ver Ronaldo por perto, tremeu na base e recuou errado para Bosco, corrigindo o passe de Dentinho e permitindo a Ronaldo inaugurar o marcador.

Foi depois do gol que o papel da arbitragem começou a ficar claro. O São Paulo batia impunemente, enquanto o Corinthians não podia encostar em um são-paulino que o juiz logo dava falta. Deve ser porque futebol é um esporte de contato. Imagine se não fosse. Enquanto Júnior César entrava pra quebrar impunemente, Defederico tomava cartão amarelo por jogo de corpo no meio de campo. O juiz deixava o São Paulo com a posse de bola o tempo inteiro, e mesmo assim o gol de Felipe não era ameaçado.

Veio o segundo tempo e o São Paulo partiu pra cima. Mas sem objetividade. Até que, aos 18, Ronaldo disputou com um zagueiro adversário e passou para Dentinho fazer o gol. Tudo regular, sem falta nem impedimento. Mas o árbitro preferiu anular, acusando Ronaldo de ter ganhado a disputa de bola com falta. Afinal, aquele segundo gol atrapalharia o projeto de fazer o São Paulo ganhar e manter-se na cola do Palmeiras. Ou será coincidência o São Paulo ser beneficiado pela arbitragem todo santo jogo?

Mas o Corinthians ainda vencia. E defendia-se esplendidamente. A arbitragem precisava fazer alguma coisa. Até que, aos 25, veio a chance. O crime, no frigir dos ovos, é uma questão de oportunidade. O ataque inteiro do São Paulo apareceu na banheira, dentro da área. Uns três ou quatro jogadores, e nenhum em condição regular. Muito menos Washington, que tocou na saída de Felipe e concluiu para o gol. Apesar do impedimento, o tento tricolor foi validado pelo trio pó-de-arroz.

E a roubalheira prosseguia. Os bandeirinhas assinalaram dois impedimentos do ataque corintiano na partida de hoje, um de Dentinho e outro de Ronaldo. Eles erraram nos dois lances. E em ambos os atacantes corintianos sairiam na cara do gol. Enquanto isso, Ricardo Marques Ribeiro, que apitou bem a decisão da Copa do Brasil entre Corinthians e Internacional, continuava deixando o São Paulo no comando das ações. Não havia falta para o Corinthians, só para o São Paulo. Quando pôde, inverteu lateral, tiro de meta e escanteio. Curiosamente, sempre para o mesmo lado. No fim do jogo, Washington reclamou de uma marcação e o árbitro o expulsou, talvez para disfarçar a obra dos 89 minutos anteriores.

Ao trilar do apito final até senti um alívio ao perceber que, nem com toda a sacanagem a seu favor, o São Paulo é capaz de vencer o Timão. Agora são oito jogos de invencibilidade contra esse adversário. Vai ser preciso roubar muito mais que isso pra esse minitabu acabar. E não tenho dúvidas que será depois de outro assalto a mão armada. Resta saber se daqui a alguns meses ou se daqui a alguns anos.

O certo é que o contrário não vai acontecer. Minha convicção quanto a isso é tamanha que prometo aqui, por escrito, que suspenderei as atividades deste blog no mesmo dia em que o Corinthians ganhar ilegalmente do São Paulo, seja um jogo, um mata-mata ou um título de campeonato. Reservo-me o direito de contra-argumentar se for algo contestável. Se a roubalheira for incontestável, como a de hoje, pararei este blog no mesmo dia. Acompanho futebol há mais de duas décadas e não consigo me lembrar de alguma vitória do Corinthians sobre o São Paulo com influência decisiva da arbitragem em favor do Timão. E duvido que isso venha a acontecer tão cedo.

Contra o São Paulo:
Retrospecto geral*: 287 jogos, 108 vitórias, 92 empates, 87 derrotas, 415 gols pró, 387 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 44 jogos, 15 vitórias, 18 empates, 11 derrotas, 41 gols pró, 42 gols contra.

O Corinthians no Morumbi:
527 jogos; 206 vitórias; 184 empates; 137 derrotas; 701 gols pró; 564 gols contra.

*A título de esclarecimento: O retrospecto geral do duelo é exatamente este, de 108 vitórias corintianas, 92 empates e 87 triunfos tricolores em 287 partidas disputadas, com 415 gols mosqueteiros e 387 são-paulinos. A informação baseia-se nos Almanaques do Corinthians e do São Paulo lançados pela Placar em anos recentes. Há quem inclua erroneamente o jogo oficialmente cancelado do Brasileirão de 2005, manchado pela arbitragem de Edílson Pereira de Carvalho, juiz-ladrão confesso, e as partidas dos tempos de São Paulo da Floresta, clube que faliu na década de 1930 e que, apesar de ter dado origem ao atual São Paulo FC, não deixou de herança seus títulos nem seu retrospecto com outros clubes. Ou seja, a título de estatística, esses jogos não tem valor para o duelo entre Corinthians e São Paulo.



 Escrito por Ricardo às 23h15 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.119

1 x 4
Este é o relato de um jogo que eu não vi. Ou melhor, não pude ver. Enquanto o Corinthians apanhava por 4 x 1 do Goiás, eu acompanhava minha esposa na fila de um pronto-socorro. Acabo de chegar em casa e ainda mais essa: escrever sobre uma tragédia.

O placar já diz muito. Levar de 4 x 1 em casa num Pacaembu lotado a favor é indício de alguma paralisia, de algum lapso anormal. Vi as imagens dos gols e pude perceber que a defesa bateu cabeça em todos. E, pelo gol do Corinthians, imagino que outros lances chorados de ataque tenham acontecido e que a história talvez fosse outra com um pouco menos de ansiedade.

Mas não tem jeito. Antes de escrever qualquer coisa terei de ver o VT. Antes disso, porém, imploro aos jogadores que uma tragédia desse porte não se repita no próximo jogo, quando o Corinthians pegará o São Paulo no Morumbi.

Contra o Goiás:
Retrospecto geral: 41 jogos, 14 vitórias, 15 empates, 12 derrotas, 58 gols pró, 45 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 36 jogos, 11 vitórias, 14 empates, 11 derrotas, 46 gols pró, 40 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 22h44 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.118

1 x 1
Depois de duas semanas sem jogar, o Corinthians retornou a campo nesta quarta-feira e ficou no empate por 1 x 1 com o Coritiba no estádio Couto Pereira, em Curitiba. O time da casa aproveitou-se da apatia corintiana no primeiro tempo e foi para o intervalo com a vitória parcial. Mas o Timão voltou ligado na etapa complementar e logo empatou a partida em jogada de ataque bem articulada da qual participaram Bill, Souza, Elias e Dentinho, que empurrou a bola para o fundo da rede.

Pelo restante do duelo, o Corinthians teve mais chances de conseguir a vitória do que o adversário, mas o ataque errou mais do que deveria e a vitória não veio. Ainda assim, o empate permitiu ao Timão diminuir em um ponto a distância para a ponta da tabela. O Palmeiras lidera o Campeonato Brasileiro com 44 pontos. O Corinthians está em sexto, com 37. Restando ainda 14 rodadas para o fim do torneio, há tempo e confrontos diretos de sobra para que o alvinegro cale os adversários levando a tríplice coroa.

Levando-se em conta o equilíbrio existente no Brasileirão, as aguardadas estreias de jogadores como Defederico e Edno e o esperado retorno do craque Ronaldo e de outros titulares contundidos, não me parece demais acreditar que o Corinthians volte a levantar uma taça este ano.

Agora o alvinegro terá pela frente três jogos na capital paulista, contra Goiás, São Paulo e Atlético Paranaense. As aspirações ao título certamente dependem de um bom desempenho nessa sequência.

Contra o Coritiba:
Retrospecto geral: 42 jogos, 20 vitórias, 7 empates, 15 derrotas, 53 gols pró, 42 gols contra.
Pelo Campeonato Brasileiro: 28 jogos, 13 vitórias, 5 empates, 10 derrotas, 30 gols pró, 26 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 23h56 [] [envie esta mensagem] []




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