Retrospecto Corintiano


Jogo 5.120

1 x 1
Um despudorado assalto a mão armada ocorreu na tarde deste domingo no Morumbi, mas nem com três a mais durante os 90 minutos de jogo o São Paulo conseguiu ganhar do Corinthians. Desde o início, o tricolor jogou com 14 contra 11. O árbitro Ricardo Marques Ribeiro e seus auxiliares Carlos Augusto Nogueira Júnior e Emerson Augusto de Carvalho foram fundamentais para impedir que o Timão deixasse seu salão de festa predileto fazendo o de sempre... festa. Entre outros feitos, eles anularam um gol legítimo do Corinthians e validaram o tento irregular do São Paulo.

O Corinthians entrou em campo deixando a iniciativa para o suposto time de casa. A trupe mosqueteira defendia-se com eficácia e levava perigo quando subia. Até que o Timão abriu o placar e pôde passar a jogar com mais calma. Depois do gol, o adversário descontrolou-se e começou a bater.

O gol do Corinthians saiu aos 20 minutos, mas a jogada começou três minutos antes. Dá até para os são-paulinos culparem o árbitro, se bobear. Aos 17, Júnior César fez falta criminosa em Dentinho. O juiz não assinalou o ato de violência, deixou o lance seguir e, pouco depois, teve de parar a bola para que o atacante corintiano fosse atendido. Dentinho saiu de campo, recebeu atendimento e, quando o árbitro autorizou sua volta, Richarlyson errou um passe na saída de bola. Dentinho roubou a pelota e tentou lançar Ronaldo, mas também errou o passe. O zagueiro adversário André Dias, ao ver Ronaldo por perto, tremeu na base e recuou errado para Bosco, corrigindo o passe de Dentinho e permitindo a Ronaldo inaugurar o marcador.

Foi depois do gol que o papel da arbitragem começou a ficar claro. O São Paulo batia impunemente, enquanto o Corinthians não podia encostar em um são-paulino que o juiz logo dava falta. Deve ser porque futebol é um esporte de contato. Imagine se não fosse. Enquanto Júnior César entrava pra quebrar impunemente, Defederico tomava cartão amarelo por jogo de corpo no meio de campo. O juiz deixava o São Paulo com a posse de bola o tempo inteiro, e mesmo assim o gol de Felipe não era ameaçado.

Veio o segundo tempo e o São Paulo partiu pra cima. Mas sem objetividade. Até que, aos 18, Ronaldo disputou com um zagueiro adversário e passou para Dentinho fazer o gol. Tudo regular, sem falta nem impedimento. Mas o árbitro preferiu anular, acusando Ronaldo de ter ganhado a disputa de bola com falta. Afinal, aquele segundo gol atrapalharia o projeto de fazer o São Paulo ganhar e manter-se na cola do Palmeiras. Ou será coincidência o São Paulo ser beneficiado pela arbitragem todo santo jogo?

Mas o Corinthians ainda vencia. E defendia-se esplendidamente. A arbitragem precisava fazer alguma coisa. Até que, aos 25, veio a chance. O crime, no frigir dos ovos, é uma questão de oportunidade. O ataque inteiro do São Paulo apareceu na banheira, dentro da área. Uns três ou quatro jogadores, e nenhum em condição regular. Muito menos Washington, que tocou na saída de Felipe e concluiu para o gol. Apesar do impedimento, o tento tricolor foi validado pelo trio pó-de-arroz.

E a roubalheira prosseguia. Os bandeirinhas assinalaram dois impedimentos do ataque corintiano na partida de hoje, um de Dentinho e outro de Ronaldo. Eles erraram nos dois lances. E em ambos os atacantes corintianos sairiam na cara do gol. Enquanto isso, Ricardo Marques Ribeiro, que apitou bem a decisão da Copa do Brasil entre Corinthians e Internacional, continuava deixando o São Paulo no comando das ações. Não havia falta para o Corinthians, só para o São Paulo. Quando pôde, inverteu lateral, tiro de meta e escanteio. Curiosamente, sempre para o mesmo lado. No fim do jogo, Washington reclamou de uma marcação e o árbitro o expulsou, talvez para disfarçar a obra dos 89 minutos anteriores.

Ao trilar do apito final até senti um alívio ao perceber que, nem com toda a sacanagem a seu favor, o São Paulo é capaz de vencer o Timão. Agora são oito jogos de invencibilidade contra esse adversário. Vai ser preciso roubar muito mais que isso pra esse minitabu acabar. E não tenho dúvidas que será depois de outro assalto a mão armada. Resta saber se daqui a alguns meses ou se daqui a alguns anos.

O certo é que o contrário não vai acontecer. Minha convicção quanto a isso é tamanha que prometo aqui, por escrito, que suspenderei as atividades deste blog no mesmo dia em que o Corinthians ganhar ilegalmente do São Paulo, seja um jogo, um mata-mata ou um título de campeonato. Reservo-me o direito de contra-argumentar se for algo contestável. Se a roubalheira for incontestável, como a de hoje, pararei este blog no mesmo dia. Acompanho futebol há mais de duas décadas e não consigo me lembrar de alguma vitória do Corinthians sobre o São Paulo com influência decisiva da arbitragem em favor do Timão. E duvido que isso venha a acontecer tão cedo.

Contra o São Paulo:
Retrospecto geral*: 287 jogos, 108 vitórias, 92 empates, 87 derrotas, 415 gols pró, 387 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 44 jogos, 15 vitórias, 18 empates, 11 derrotas, 41 gols pró, 42 gols contra.

O Corinthians no Morumbi:
527 jogos; 206 vitórias; 184 empates; 137 derrotas; 701 gols pró; 564 gols contra.

*A título de esclarecimento: O retrospecto geral do duelo é exatamente este, de 108 vitórias corintianas, 92 empates e 87 triunfos tricolores em 287 partidas disputadas, com 415 gols mosqueteiros e 387 são-paulinos. A informação baseia-se nos Almanaques do Corinthians e do São Paulo lançados pela Placar em anos recentes. Há quem inclua erroneamente o jogo oficialmente cancelado do Brasileirão de 2005, manchado pela arbitragem de Edílson Pereira de Carvalho, juiz-ladrão confesso, e as partidas dos tempos de São Paulo da Floresta, clube que faliu na década de 1930 e que, apesar de ter dado origem ao atual São Paulo FC, não deixou de herança seus títulos nem seu retrospecto com outros clubes. Ou seja, a título de estatística, esses jogos não tem valor para o duelo entre Corinthians e São Paulo.



 Escrito por Ricardo às 23h15 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.119

1 x 4
Este é o relato de um jogo que eu não vi. Ou melhor, não pude ver. Enquanto o Corinthians apanhava por 4 x 1 do Goiás, eu acompanhava minha esposa na fila de um pronto-socorro. Acabo de chegar em casa e ainda mais essa: escrever sobre uma tragédia.

O placar já diz muito. Levar de 4 x 1 em casa num Pacaembu lotado a favor é indício de alguma paralisia, de algum lapso anormal. Vi as imagens dos gols e pude perceber que a defesa bateu cabeça em todos. E, pelo gol do Corinthians, imagino que outros lances chorados de ataque tenham acontecido e que a história talvez fosse outra com um pouco menos de ansiedade.

Mas não tem jeito. Antes de escrever qualquer coisa terei de ver o VT. Antes disso, porém, imploro aos jogadores que uma tragédia desse porte não se repita no próximo jogo, quando o Corinthians pegará o São Paulo no Morumbi.

Contra o Goiás:
Retrospecto geral: 41 jogos, 14 vitórias, 15 empates, 12 derrotas, 58 gols pró, 45 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 36 jogos, 11 vitórias, 14 empates, 11 derrotas, 46 gols pró, 40 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 22h44 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.118

1 x 1
Depois de duas semanas sem jogar, o Corinthians retornou a campo nesta quarta-feira e ficou no empate por 1 x 1 com o Coritiba no estádio Couto Pereira, em Curitiba. O time da casa aproveitou-se da apatia corintiana no primeiro tempo e foi para o intervalo com a vitória parcial. Mas o Timão voltou ligado na etapa complementar e logo empatou a partida em jogada de ataque bem articulada da qual participaram Bill, Souza, Elias e Dentinho, que empurrou a bola para o fundo da rede.

Pelo restante do duelo, o Corinthians teve mais chances de conseguir a vitória do que o adversário, mas o ataque errou mais do que deveria e a vitória não veio. Ainda assim, o empate permitiu ao Timão diminuir em um ponto a distância para a ponta da tabela. O Palmeiras lidera o Campeonato Brasileiro com 44 pontos. O Corinthians está em sexto, com 37. Restando ainda 14 rodadas para o fim do torneio, há tempo e confrontos diretos de sobra para que o alvinegro cale os adversários levando a tríplice coroa.

Levando-se em conta o equilíbrio existente no Brasileirão, as aguardadas estreias de jogadores como Defederico e Edno e o esperado retorno do craque Ronaldo e de outros titulares contundidos, não me parece demais acreditar que o Corinthians volte a levantar uma taça este ano.

Agora o alvinegro terá pela frente três jogos na capital paulista, contra Goiás, São Paulo e Atlético Paranaense. As aspirações ao título certamente dependem de um bom desempenho nessa sequência.

Contra o Coritiba:
Retrospecto geral: 42 jogos, 20 vitórias, 7 empates, 15 derrotas, 53 gols pró, 42 gols contra.
Pelo Campeonato Brasileiro: 28 jogos, 13 vitórias, 5 empates, 10 derrotas, 30 gols pró, 26 gols contra.



 Escrito por Ricardo às 23h56 [] [envie esta mensagem] []






Jogo 5.117

2 x 1
O Santos veio a São Paulo para se defender, abriu o placar em um golpe de sorte no início do segundo tempo e vencia o jogo até pouco mais de dez minutos do fim da partida. Então, no peito e na raça, o Timão foi pra cima, superou a omissão da arbitragem e a cera do adversário, alcançou a vitória no fim da partida e presenteou sua fiel torcida pelos gloriosos 99 anos de história do clube.

O Timão dominou o jogo no primeiro tempo, mas não teve competência para abrir o marcador. O Santos saiu na frente em um lance de fliperama no início da segunda etapa. O Corinthians levou um bom tempo para assimilar o golpe. Enquanto isso, o adversário batia e fazia cera sem que o árbitro Guilherme Cereta de Lima punisse de acordo.

Na ausência da técnica e dos nervos no lugar, a vitória veio na raça. Aos 34 da etapa complementar, Jorge Henrique cruzou, o zagueiro Paulo André desviou de cabeça e a bola bateu na trave e já ia entrando, mas o atacante Bill deu o último toque, marcando seu primeiro gol com a camisa alvinegra.

Então o Santos parou de fazer cera. E ameaçou ir pra cima. Mas, aos 43, numa jogada ensaiada magistralmente executada em cobrança de falta, Jorge Henrique rolou para Elias, que cruzou para Balbuena na lateral da área. O paraguaio cabeceou para o meio enquanto a defesa santista saía para fazer linha de impedimento. Mestre Chicão, em posição regular, veio de trás, ficou de frente pro gol e pôde escolher onde cabecear para assegurar a décima vitória mosqueteira no Campeonato Brasileiro de 2009.

No fim, a arbitragem acabou punindo o Santos pela cera, levando o jogo apenas até 46 minutos e 50 segundos.

Com a vitória, o Corinthians completa cinco jogos de invencibilidade no Brasileirão, em sua melhor sequência no retorno à Série A até o momento.

A próxima partida, contra o Coritiba, deverá marcar a estreia do argentino Defederico. Ele foi apresentado à torcida no intervalo do jogo de hoje e é um meia-atacante promissor. Seja bem-vindo, garoto! Que sua passagem pelo Corinthians seja de vitórias e glórias, como nos 99 anos que antecederam sua chegada. Parabéns, Corinthians! Parabéns, Fiel! E chupa, Santos!

Contra o Santos:
Retrospecto geral*: 294 jogos, 119 vitórias, 83 empates, 92 derrotas, 543 gols pró, 458 gols contra.
Campeonato Brasileiro: 42 jogos, 14 vitórias, 13 empates, 15 derrotas, 52 gols pró, 56 gols contra.

*Os números do confronto entre Corinthians e Santos não incluem o jogo anulado do Brasileirão de 2005 por interferência do juiz ladrão confesso Edílson Pereira de Carvalho. Em 31 de julho daquele ano o Santos venceu o Corinthians por 4 x 2 na Vila Belmiro graças, em grande parte, ao árbitro em questão. Como a partida acabou anulada posteriormente e não tem valor oficial, o resultado não entra nos números publicados neste blog.



 Escrito por Ricardo às 23h47 [] [envie esta mensagem] []






Ser corintiano

O corintiano é, antes de tudo, um crente, um sujeito de fé. Diante de toda e qualquer adversidade, diante de todo e qualquer obstáculo, ele olha com uma cara de “é difícil, mas vamos lá”, concedendo a 11 homens o status temporário de divindades, transformando o manto alvinegro numa entidade sagrada.

O corintiano é, de certa forma, uma ameaça. Uma ameaça aos padrões, uma ameaça à banalidade, uma ameaça ao bom senso, uma ameaça aos que se dizem donos da razão e da verdade.

O corintiano é, também, um sobrevivente. Como Ícaro, tenta alcançar o sol. Como Fênix, refaz-se a partir das próprias cinzas. É vítima de crimes sociais, morais e legais de toda sorte, mas não posa como tal.

O corintiano é, acima de tudo, um rebelde. Opõe-se à ordem estabelecida e, por momentos que não são poucos, mostra ao povo, aos rebeldes de todas as cores, que um outro mundo é possível pela força da luta, não pelo dinheiro, pela esperança que vence o medo, não pelo terror.

A corintiana, que merece em dobro todas as linhas acima, é a Maria de Milton. Mulher de gana, mulher de raça, sempre. “Quem traz na pele essa marca possui a estranha mania de ter fé na vida.”

Ser corintiano é alcançar a elevação à qual nenhuma alma jamais poderia, em sã consciência, aspirar.

Neste 1° de setembro, parabéns ao Sport Club Corinthians Paulista e a todos os corintianos por 99 anos de luta sem perder o vigor.



 Escrito por Ricardo às 10h25 [] [envie esta mensagem] []




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